Rússia alerta EUA e pede libertação de Nicolás Maduro após confirmação de que ele foi levado para fora da Venezuela

Rússia pede que EUA libertem Nicolás Maduro após confirmação de que presidente venezuelano foi levado ao país, elevando tensão diplomática internacional.

THAMIRES SOUZA

1/4/20264 min read

O presidente russo Vladimir Putin - em 28 de novembro de 2025, em Moscou, na Rússia • Photo by Contributor/Getty Images

Moscou cobra revisão da posição de Washington e classifica captura do presidente venezuelano como violação da soberania de um Estado

O governo da Rússia emitiu neste sábado (3) um alerta formal aos Estados Unidos, pedindo que Washington liberte o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, após a confirmação de que ambos foram levados para fora do território venezuelano. A manifestação foi divulgada por meio de um comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores russo e ocorre em meio à escalada da crise diplomática internacional envolvendo Caracas e Washington.

Segundo o governo russo, há relatos confirmados de que Nicolás Maduro e sua esposa estão atualmente sob custódia em território norte-americano. Moscou classificou a situação como grave e cobrou uma revisão imediata da posição adotada pelo governo dos EUA.

Lavrov pede libertação de Maduro e fala em presidente “legalmente eleito”

O chanceler russo Sergei Lavrov foi direto ao comentar o caso. Em declaração reproduzida pela imprensa internacional, Lavrov afirmou que a Rússia insta “veementemente” a liderança norte-americana a reconsiderar sua decisão.

“Diante dos relatos confirmados de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa estão nos Estados Unidos, instamos veementemente a liderança americana a reconsiderar sua posição e libertar o presidente legalmente eleito de um país soberano e sua esposa”, declarou o ministro.

A fala reforça o apoio político da Rússia ao governo venezuelano e a crítica histórica de Moscou a intervenções externas sem respaldo multilateral.

Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos EUA, Donald Trump, cumprimentam-se durante encontro no Alasca • 15/08/2025 REUTERS/Kevin Lamarque

Reação russa amplia tensão diplomática internacional

O posicionamento da Rússia ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmar publicamente a captura de Maduro durante a operação militar realizada em território venezuelano. A declaração de Trump elevou rapidamente a tensão diplomática entre Washington, Caracas e aliados do governo venezuelano, incluindo Rússia e outros países que defendem o princípio da não intervenção.

Especialistas em relações internacionais avaliam que a entrada formal de Moscou no debate amplia o risco de um impasse diplomático de grandes proporções, com possíveis reflexos em organismos multilaterais como a Organização das Nações Unidas.

Nova acusação judicial dos EUA contra Maduro e familiares

No mesmo dia do alerta russo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou uma nova acusação criminal contra Nicolás Maduro, sua esposa e seu filho. Segundo o órgão, o presidente venezuelano e aliados teriam transformado instituições do Estado em um sistema de corrupção sustentado pelo narcotráfico.

De acordo com a acusação, o esquema teria beneficiado autoridades venezuelanas e suas famílias, ao mesmo tempo em que favorecia grupos classificados pelos EUA como narcoterroristas, responsáveis por produzir e transportar grandes quantidades de cocaína para o território norte-americano.

Processos por narcoterrorismo e histórico judicial

Maduro já responde, desde 2020, a processos nos Estados Unidos por narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e crimes relacionados. As investigações americanas apontam para uma suposta conspiração de longo prazo, na qual integrantes do alto escalão do governo venezuelano teriam oferecido proteção política e militar a organizações criminosas.

À época dos primeiros indiciamentos, promotores norte-americanos afirmaram que o tráfico de drogas teria sido utilizado como instrumento estratégico contra os interesses dos Estados Unidos. Todas essas acusações são negadas pelo governo venezuelano, que as classifica como perseguição política.

Momento da captura de Nicolás Maduro - Redes Sociais

Recompensa milionária e expectativa de julgamento

O governo dos Estados Unidos mantinha uma recompensa de até 50 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Nicolás Maduro. O valor foi atualizado em agosto deste ano, segundo autoridades americanas.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, declarou que Maduro deverá responder à Justiça americana. Com a chegada ao país, ele deve ser submetido ao sistema judicial para cumprir os mandados de prisão pendentes, embora detalhes do cronograma processual ainda não tenham sido divulgados oficialmente.

Venezuela decreta emergência e vive clima de incerteza

Enquanto o impasse diplomático se intensifica, a situação interna da Venezuela permanece instável. O governo decretou emergência nacional, e a oposição acompanha de perto a possibilidade de uma transição de poder, ainda sem contornos claros.

Relatos confirmados por equipes jornalísticas indicaram explosões, colunas de fumaça e sobrevoos de aeronaves em Caracas durante a operação militar. Houve interrupções no fornecimento de energia elétrica em diferentes regiões da capital, segundo testemunhas.

Bombardeios, restrições aéreas e reação dos EUA

Moradores de cidades costeiras relataram que o céu ficou avermelhado durante as explosões e que o solo chegou a tremer em alguns pontos. Em paralelo, a Federal Aviation Administration proibiu aeronaves americanas de operarem no espaço aéreo venezuelano, citando riscos de segurança em razão da atividade militar.

Donald Trump classificou a ofensiva como uma “operação brilhante” e anunciou uma coletiva de imprensa na Flórida para detalhar os objetivos e resultados da ação militar.

Situação segue em apuração

Até o momento, não há confirmação independente sobre o desfecho judicial de Nicolás Maduro, nem sobre eventuais negociações diplomáticas em curso envolvendo Estados Unidos, Rússia e outros atores internacionais. Organismos multilaterais e governos acompanham os desdobramentos com cautela, enquanto novas informações seguem sendo apuradas por agências de notícias e autoridades oficiais.