“Vi corpos sem cabeça”: fotógrafo relata 24 horas na operação policial mais letal da história do Rio
Relato do fotógrafo Bruno Itan sobre a operação policial mais letal da história do Rio, com 121 mortos, no Complexo do Alemão e da Penha.
Thamires Souza
12/16/20255 min read


Crédito da imagem, Bruno Itan / Legenda da foto, Pelo menos 119 pessoas morreram, segundo os números oficiais
Uma das operações policiais mais violentas e controversas já registradas no Brasil — deflagrada em 28 de outubro de 2025 contra a facção criminosa Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão (Zona Norte do Rio de Janeiro) — deixou um cenário de devastação que chamou atenção não apenas pelo número de mortos, mas também pelas cenas chocantes documentadas por quem esteve lá. Terra
Entre os profissionais que cobriram a ação esteve o fotógrafo Bruno Itan, que passou quase 24 horas fotografando e observando de perto a situação no campo de confronto e após o fim da operação, relatando imagens fortes e cenas difíceis de serem esquecidas. CNN Brasil
📸 O relato do fotógrafo
Bruno Itan, que cresceu no Complexo do Alemão e já conhecia bem as favelas da zona norte do Rio, descreveu em entrevistas e depoimentos um cenário de desolação e caos após a megaoperação policial. Segundo ele:
Corpos totalmente desfigurados, alguns sem cabeça ou com partes do corpo mutiladas, foram observados durante as buscas e recolhimento no terreno. Terra
A sensação olfativa do ambiente — como ele próprio disse — ficou marcada pelo “cheiro da morte”, pela presença de sangue e pelo sofrimento de moradores e familiares procurando por entes queridos. CNN Brasil
O trabalho foi exaustivo e intenso, sem pausas para alimentação ou descanso, já que a cobertura durou praticamente um dia inteiro em meio ao cenário pós-confronto. CNN Brasil
O fotógrafo relatou como foi acompanhar desde o início da operação, por volta das 6h da manhã, até as horas de arrastamento e registro de corpos sendo retirados por moradores, muitas vezes levados em motos e caminhonetes por familiares que subiam por trilhas até áreas de mata densa. Terra


créditos da imagem: Bruno Itan


créditos da imagem: Bruno Itan
Legenda da foto, Operação foi contra Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha
📊 Número de mortos e contexto da operação
A ação, oficialmente denominada Operação Contenção, envolveu milhares de agentes das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro em conjunto com batalhões especializados contra o Comando Vermelho (CV) — principal facção criminosa da cidade. Terra
As autoridades informaram que a operação resultou na morte de pelo menos 121 pessoas, incluindo suspeitos de envolvimento com o crime e quatro policiais. Terra Outros levantamentos, como o da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, chegam a números ainda maiores, com mais de 128 vítimas totalizando civis e agentes. CNN Brasil
Após a operação, moradores e familiares próprios enfileiraram vários corpos em locais públicos como uma forma de identificar as vítimas e pressionar por respostas, o que também gerou repercussão nacional e internacional. SWI swissinfo.ch
🧠 Cenas chocantes e repercussão
Relatos tanto de jornalistas quanto de moradores apontaram circunstâncias extremamente violentas:
Corpos decapitados ou com desfiguração extrema foram vistos em mata ou após serem recuperados por familiares e levados à praça. SWI swissinfo.ch
Moradores denunciaram executados com tiros à queima-roupa, o que gerou críticas de entidades de direitos humanos e movimentos sociais que classificaram a ação como chacina e uso desproporcional da força. Correio Braziliense
Organizações e ativistas ressaltaram a necessidade de investigação independente, questionando não só o número de mortos, mas também as circunstâncias em que muitas das mortes ocorreram. SWI swissinfo.ch
Do outro lado, o governo estadual e as forças de segurança destacaram que os alvos da operação tinham histórico de envolvimento com atividades criminosas, e que a ação visava conter o avanço territorial do CV, enfatizando a complexidade operacional e o risco enfrentado pelos agentes. SWI swissinfo.ch


créditos da imagem: Bruno Itan
Legenda da foto, A ação foi classificada pelo governador como 'a maior operação das forças de segurança do Rio de Janeiro'
🙍♂️ Depoimentos de moradores
Além de relatos profissionais como o de Bruno Itan, moradores que perderam parentes — como a mãe de um jovem de 19 anos que afirmou ter encontrado o corpo do filho sem cabeça — reforçaram a sensação de horror vivido por muitas famílias na comunidade após a operação. CartaCapital
Esses relatos pessoais e visuais se somam à narrativa documental do fotógrafo, confirmando que o impacto humano do episódio ultrapassou dados e estatísticas e entrou profundamente na memória coletiva de muitas famílias em favelas da região.
📌 O que isso representa
A cobertura intensa de um fotógrafo que viveu e fotografou por quase um dia inteiro o pós-operação ajuda a dar dimensão humana a números que, por si só, não conseguem traduzir o impacto emocional, social e físico da ação. Os relatos mostram um cenário marcado por:
✔️ grande número de mortos e feridos
✔️ cenas de mutilação e corpos desfigurados
✔️ angústia de famílias procurando por entes
✔️ repercussões sobre a política de segurança pública no Rio
Esses elementos combinam-se para tornar essa operação um dos capítulos mais controversos e debatidos da segurança pública brasileira em 2025.


créditos da imagem: Bruno Itan
Legenda da foto, MPF pediu que o governo fluminense demonstre ter seguido as determinações de que questiona letalidade policial em comunidades do Rio


créditos da imagem:Bruno Itan
Legenda da foto,A operação envolveu 2,5 mil agentes das forças de segurança do Rio de Janeiro


créditos da imagem: Bruno Itan
Legenda da foto, Operação foi a mais letal registrada na região metropolitana do Rio desde 1990


créditos da imagem: Bruno Itan
Legenda da foto, Moradores levaram pelo menos 55 corpos para a Praça São Lucas
🧠 Importante
Relatar imagens fortes e fatos chocantes não é sensacionalismo — é parte de mostrar o impacto humano de eventos extremos. Tais relatos auxiliam leitores a compreenderem melhor o contexto da violência urbana e as consequências de políticas de segurança que envolvem confrontos intensos com facções criminosas.
