Trump ataca ONU após críticas à ação dos EUA na Venezuela e questiona papel da organização
Trump critica a ONU após reação à operação dos EUA na Venezuela, reacendendo debate sobre soberania, direito internacional e atuação do Conselho de Segurança.
Escrito por: Thamires Souza
1/13/20265 min read


Andrew Harnik/Getty Images
A tensão entre os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas ganhou novos contornos em janeiro de 2026, após declarações contundentes do presidente Donald Trump sobre o papel da entidade internacional. As falas ocorreram em meio à reação da ONU à operação militar americana que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e intensificaram o debate global sobre soberania, direito internacional e os limites da atuação unilateral de grandes potências.
O episódio expôs divergências profundas entre Washington e organismos multilaterais, reacendendo críticas históricas feitas por Trump à estrutura e ao funcionamento da ONU.
Crise internacional após operação dos EUA na Venezuela
A crise diplomática teve como pano de fundo a operação militar realizada pelos Estados Unidos em território venezuelano no início de janeiro de 2026, que culminou na detenção de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para os Estados Unidos para responder a acusações relacionadas a crimes federais, incluindo narcotráfico e associação com organizações criminosas, segundo a justificativa apresentada pelo governo americano.
A ação provocou reação imediata da Organização das Nações Unidas, que convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York. Durante o encontro, representantes da ONU afirmaram que a retirada de Maduro do país violaria princípios fundamentais do direito internacional, especialmente os relacionados à soberania e à integridade territorial dos Estados.
Posição da ONU e críticas à operação
Durante a sessão extraordinária, representantes do Alto Comissariado de Direitos Humanos classificaram a operação como uma violação da Carta das Nações Unidas, argumentando que o uso da força sem autorização do Conselho de Segurança ou justificativa clara de legítima defesa fere normas estabelecidas desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Delegações de diversos países expressaram preocupação com o precedente criado pela ação americana, alertando para riscos de instabilidade regional e enfraquecimento do sistema internacional baseado em regras. Algumas representações diplomáticas defenderam que eventuais crimes atribuídos a líderes estrangeiros devem ser tratados por meio de mecanismos multilaterais e tribunais internacionais, e não por ações militares diretas.
Resposta de Trump e críticas à ONU
Em resposta às manifestações da ONU, Trump reagiu de forma dura em declarações públicas e em publicações em redes sociais. O presidente afirmou que a organização é incapaz de lidar com crises reais e que estaria dominada por interesses contrários aos valores defendidos pelos Estados Unidos.
Embora não exista um pronunciamento formal registrado em sessão oficial da ONU com termos específicos como “corrupta” ou “inútil”, assessores próximos ao presidente confirmaram que Trump reiterou críticas frequentes à entidade, classificando-a como ineficiente, politizada e incapaz de proteger populações sob regimes autoritários.
Segundo Trump, a ação na Venezuela teria sido motivada pelo combate ao narcotráfico internacional e pela necessidade de enfrentar um governo que, em sua avaliação, representaria ameaça à segurança regional e hemisférica.
Como funciona o Conselho de Segurança da ONU
O Conselho de Segurança é o principal órgão da ONU responsável por deliberar sobre questões relacionadas à paz e à segurança internacionais. Ele é composto por 15 países, sendo cinco membros permanentes com poder de veto — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — e dez membros não permanentes, eleitos por mandatos temporários.
O direito de veto permite que qualquer um dos membros permanentes bloqueie resoluções substanciais, inclusive aquelas que poderiam condenar ou sancionar um país específico. Esse mecanismo explica por que iniciativas para responsabilizar os Estados Unidos pela operação na Venezuela enfrentam grandes obstáculos diplomáticos.
Críticas recorrentes à atuação da ONU
As declarações de Trump refletem críticas antigas feitas por setores políticos, especialmente nos Estados Unidos, que acusam a ONU de agir de forma lenta e excessivamente burocrática diante de crises graves. Entre os argumentos apresentados por críticos está a alegação de que a organização prioriza o consenso diplomático mesmo quando isso resulta em paralisia diante de conflitos armados, crises humanitárias ou violações de direitos humanos.
Episódios históricos frequentemente citados nesse debate incluem a resposta limitada da ONU ao genocídio em Ruanda, em 1994, e as dificuldades enfrentadas para agir de forma decisiva durante a guerra civil na Síria, em razão de vetos e divergências entre membros permanentes do Conselho de Segurança.
Especialistas em relações internacionais, por outro lado, ressaltam que essas limitações fazem parte do próprio desenho institucional da ONU, criado para evitar ações unilaterais e preservar o equilíbrio entre potências globais.
Justificativa dos Estados Unidos para a intervenção
O governo americano sustenta que a operação na Venezuela integra uma estratégia mais ampla de combate ao narcotráfico, ao crime organizado transnacional e a governos acusados de repressão política e corrupção sistêmica. Nos meses anteriores à captura de Maduro, os Estados Unidos intensificaram operações navais e sanções econômicas contra alvos ligados ao regime venezuelano.
Defensores dessa abordagem afirmam que a intervenção poderia abrir caminho para mudanças políticas internas e para a reconstrução institucional da Venezuela. Críticos, no entanto, alertam para os riscos de instabilidade prolongada e para o enfraquecimento das normas internacionais que regulam o uso da força.
Um debate que vai além da Venezuela
O embate entre Trump e a ONU vai além do caso venezuelano e reflete uma disputa mais ampla sobre o papel das organizações multilaterais no mundo contemporâneo. De um lado, líderes que defendem maior liberdade de ação para Estados soberanos; de outro, instituições que buscam preservar regras comuns para evitar conflitos globais.
O episódio evidencia os desafios enfrentados pelo sistema internacional em um cenário marcado por tensões geopolíticas, disputas de poder e questionamentos sobre a eficácia das estruturas criadas após a Segunda Guerra Mundial.
Conclusão
As críticas de Donald Trump à ONU, em meio à crise envolvendo a Venezuela, reacenderam um debate antigo sobre a relevância, os limites e a legitimidade das organizações multilaterais. Enquanto os Estados Unidos defendem a legalidade e a necessidade de sua ação, a ONU sustenta a importância do respeito às normas internacionais.
O desfecho desse confronto diplomático ainda é incerto, mas o episódio reforça que o equilíbrio entre soberania nacional e cooperação internacional segue como um dos principais desafios da política global no século XXI.
Sobre o autor
Thamires Souza é a criadora e editora do Mente de Curioso, um blog dedicado à divulgação de curiosidades, ciência, história e fatos explicados de forma clara, responsável e informativa.
