Trump anuncia corte de petróleo venezuelano para Cuba e exige acordo com os Estados Unidos
Trump anuncia corte do petróleo venezuelano para Cuba e exige acordo com os EUA, aumentando a pressão econômica e a tensão diplomática no Caribe.
Escrito por: Thamires Souza
1/14/20264 min read


Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel AFP / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não haverá mais envio de petróleo nem de recursos financeiros provenientes da Venezuela para Cuba e declarou que o governo cubano deve fechar um acordo com Washington. A declaração elevou a tensão entre os dois países e ampliou a pressão sobre a ilha caribenha em um momento de grave crise econômica.
Segundo Trump, o apoio energético e financeiro venezuelano foi essencial para a sustentação do regime cubano por muitos anos e não continuará sob a atual política americana. O presidente não detalhou quais seriam os termos do acordo exigido, mas afirmou que a decisão deve ser tomada com urgência.
Interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano
A Venezuela é historicamente o principal fornecedor de petróleo de Cuba. Desde o início de janeiro, no entanto, nenhum carregamento partiu dos portos venezuelanos com destino à ilha. A interrupção ocorreu após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro, e no endurecimento do bloqueio petrolífero imposto ao país sul-americano.
O fornecimento venezuelano cobria uma parcela significativa do déficit energético cubano, sendo crucial para a geração de eletricidade, transporte e funcionamento da economia. A suspensão desse fluxo representa um impacto direto sobre a já fragilizada infraestrutura energética de Cuba.
Declarações de Trump e pressão política
Em manifestação pública, Trump declarou que não haverá mais petróleo nem dinheiro destinados a Cuba, enfatizando que o corte será total. Ele também afirmou que o país caribenho viveu durante anos sustentado por recursos venezuelanos e que essa realidade chegou ao fim.
O presidente americano não apresentou detalhes sobre o acordo proposto, nem indicou prazos formais ou condições específicas. A postura foi interpretada como parte de uma estratégia mais ampla de pressão sobre governos alinhados ao antigo regime venezuelano e sobre países governados por sistemas políticos adversários aos interesses dos Estados Unidos.
Comentários envolvendo liderança cubana
As declarações de Trump ganharam repercussão adicional após ele compartilhar uma publicação sugerindo que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, poderia se tornar presidente de Cuba no futuro. O comentário, feito em tom informal, foi visto como provocativo e ampliou o desconforto diplomático entre os dois países.
Embora não tenha caráter oficial, a mensagem reforçou a percepção de que o governo americano deseja mudanças profundas na condução política da ilha.
Reação do governo cubano
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu às declarações reafirmando a soberania do país. Ele afirmou que Cuba é uma nação independente e que não aceita imposições externas, destacando que o país se prepara para se defender diante de ameaças.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também se manifestou, declarando que Cuba tem o direito de importar combustível de qualquer fornecedor disposto a comercializar com o país. Ele negou que Havana tenha recebido compensações financeiras em troca de serviços de segurança prestados a outros governos.
Dependência energética e alternativas limitadas
Desde o início dos anos 2000, Cuba passou a depender fortemente do petróleo venezuelano como parte de um acordo firmado ainda durante o governo de Hugo Chávez. Mesmo com a redução da capacidade de refino venezuelana nos últimos anos, o país continuou sendo o principal fornecedor de petróleo à ilha.
Outros países, como o México, fornecem petróleo bruto e combustíveis a Cuba em volumes menores, insuficientes para substituir totalmente o fluxo venezuelano. Autoridades mexicanas afirmaram recentemente que não houve aumento significativo nos volumes enviados, embora o país tenha se tornado um fornecedor relevante diante da crise.
Impactos econômicos em Cuba
Cuba atravessa uma das piores crises econômicas das últimas décadas, com apagões frequentes, escassez de combustíveis, dificuldades no abastecimento de alimentos e queda na produção agrícola. O turismo, um dos principais motores da economia, também enfrenta retração.
Especialistas avaliam que o corte no fornecimento de petróleo venezuelano tende a agravar ainda mais esse cenário, dificultando a recuperação econômica e ampliando os impactos sobre a população.
Pressão militar e cenário regional
Além da pressão econômica, houve movimentações militares recentes na região do Caribe, com navios da Marinha dos Estados Unidos deslocando-se para áreas mais próximas de Cuba. Embora não haja confirmação de ações iminentes, a movimentação contribuiu para o aumento da tensão regional.
Analistas observam que o momento é marcado por forte instabilidade geopolítica, com disputas por influência, sanções econômicas e mudanças no equilíbrio político da América Latina.
Reações da população cubana
Entre os moradores de Cuba, as reações às declarações de Trump são divididas. Parte da população expressa preocupação com a perda do fornecimento de petróleo e seus efeitos diretos no cotidiano, como falta de energia elétrica e gás. Outros demonstram resistência e afirmam estar preparados para enfrentar mais um período de dificuldades.
O debate interno reflete o impacto concreto das decisões internacionais na vida da população e reforça a pressão sobre o governo cubano para buscar alternativas em meio à crise.
Conclusão
O anúncio de Donald Trump sobre o corte do petróleo venezuelano para Cuba e a exigência de um acordo marca um novo momento de tensão nas relações entre Washington e Havana. Sem detalhes claros sobre os termos propostos, o episódio aumenta a incerteza sobre o futuro energético e econômico da ilha.
Enquanto os Estados Unidos ampliam a pressão política e econômica, Cuba reafirma sua soberania e busca resistir em um cenário cada vez mais desafiador. O desfecho desse confronto ainda é incerto, mas seus efeitos já começam a ser sentidos na região.
Sobre o autor
Thamires Souza é a criadora e editora do Mente de Curioso, um blog dedicado à divulgação de curiosidades, ciência, história e fatos explicados de forma clara, responsável e informativa.
