“Se eu pudesse voltar no tempo, eu não tinha deixado ele”, diz amiga de jovem que ficou cinco dias desaparecido no Pico Paraná
Amiga de jovem que ficou cinco dias desaparecido no Pico Paraná diz que se arrepende de tê-lo deixado. Roberto foi encontrado vivo após caminhar 20 km.
THAMIRES SOUZA
1/5/20263 min read
Amiga do jovem que desapareceu no Pico do Paraná fala sobre o caso: Ric RECORD Paraná
Thayane Smith afirma que descumpriu regra básica de trilhas ao se separar de Roberto Farias Thomaz, encontrado vivo após caminhar cerca de 20 km
A amazonense Thayane Smith, de 19 anos, afirmou que se arrepende profundamente de ter deixado o amigo Roberto Farias Thomaz, também de 19 anos, durante a trilha no Pico Paraná. O jovem ficou cinco dias desaparecido e foi encontrado com vida na manhã desta segunda-feira (5), após caminhar sozinho por cerca de 20 quilômetros até alcançar uma fazenda em Antonina, no litoral do Paraná.
Em entrevista concedida à RPC, afiliada da TV Globo no estado, Thayane afirmou que, se pudesse voltar no tempo, teria tomado uma decisão diferente.
“Se eu pudesse voltar no tempo, eu tinha feito totalmente diferente. Eu não tinha deixado ele”, declarou.
O caso mobilizou equipes de resgate, voluntários e chamou a atenção nacional para os riscos envolvidos em trilhas de alta complexidade.
Jovem desapareceu durante a descida da montanha
Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro, acompanhado de Thayane. Segundo informações confirmadas pela Polícia Civil do Paraná, o jovem passou mal durante a subida, apresentando episódios de vômito.
A dupla chegou ao cume do Pico Paraná e encontrou outros dois grupos de montanhistas. Após um período de descanso, iniciou a descida por volta das 6h30 do dia 1º de janeiro, acompanhada de um dos grupos.
Em um ponto anterior ao acampamento, Roberto acabou se separando do grupo. Pouco depois, outro grupo que descia pela trilha passou pelo mesmo local, mas não encontrou o jovem, o que levantou o alerta.
Amiga admite quebra de regra básica de segurança
Durante a entrevista, Thayane reconheceu que descumpriu uma regra fundamental do montanhismo: “vai junto, volta junto”. Segundo ela, a decisão de se separar do amigo foi um erro que jamais pretende repetir.
“Eu quebrei a regra. Eu sabia dessa regra, mas quebrei. Eu fui irresponsável em relação a isso. Foi um grande aprendizado pra eu nunca mais fazer isso”, afirmou.
A jovem relatou ainda que permaneceu no Pico Paraná durante os dias de busca e que subiu a montanha mais vezes enquanto Roberto estava desaparecido, afirmando que só deixaria o local após ele ser encontrado.
Caminhada solitária e pedido de ajuda
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Paraná, Roberto conseguiu sair da área de mata por conta própria, caminhando cerca de 20 km até encontrar uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina.
Em um vídeo divulgado pela família, o jovem aparece visivelmente machucado, mas consciente.
“Estou cheio de roxo no corpo, várias escoriações, não consigo enxergar porque perdi meu óculos, mas estou bem”, disse.
Segundo o tenente Ícaro Gabriel, porta-voz dos bombeiros, Roberto foi encaminhado ao Hospital de Antonina para avaliação médica completa.
Buscas mobilizaram grande operação
As buscas começaram ainda no dia 1º de janeiro e envolveram bombeiros militares, voluntários experientes em trilhas, drones com sensores térmicos infravermelhos e aeronaves.
O Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil, apresenta trilhas longas, trechos íngremes, mata fechada e clima instável, fatores que dificultam operações de resgate e aumentam os riscos para trilheiros,


Roberto Farias Thomaz tem 19 anos | Reprodução/Redes sociais
Testemunha relata momento em que alerta foi dado
O analista jurídico Fabio Sieg Martins, que integrava um dos grupos presentes na trilha, relatou que percebeu o desaparecimento ao chegar ao acampamento base.
Segundo ele, ao notar que Roberto não estava com Thayane, decidiu retornar parte do caminho e, assim que teve sinal de celular, acionou o Corpo de Bombeiros.
A atitude permitiu que as buscas fossem iniciadas ainda no primeiro dia do desaparecimento.
Investigação segue sem indícios de crime
A Polícia Civil instaurou procedimento após o registro de boletim de ocorrência pela família de Roberto, que mora em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
O delegado Glaison Lima Rodrigues informou que foram colhidos depoimentos de familiares, da amiga que acompanhava o jovem e de outros montanhistas. Até o momento, não há indícios de crime, e o caso segue sendo tratado como desaparecimento.
“Não há elementos iniciais de infração penal”, afirmou o delegado, destacando que a situação pode ser reavaliada caso surjam novos fatos.
Caso reforça alerta sobre segurança em trilhas
O episódio reacendeu o debate sobre segurança em trilhas de alta dificuldade, especialmente em períodos de férias e feriados prolongados. Especialistas e o Corpo de Bombeiros reforçam a importância de planejamento, preparo físico, equipamentos adequados e, principalmente, não se separar do grupo.
A orientação é que trilhas como a do Pico Paraná sejam feitas apenas por pessoas experientes ou acompanhadas de guias, com atenção redobrada às condições climáticas e ao tempo estimado de percurso.

