Polícia investiga mortes por injeção letal em UTI de hospital particular no Distrito Federal

Polícia investiga mortes por injeção letal em UTI de hospital no DF; três técnicos de enfermagem foram presos por homicídio qualificado.

Escrito por: Thamires Souza

1/20/20265 min read

Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enf
Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enf

Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes na UTI do Hospital Anchieta. — Foto: TV Globo/Divulgação

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um dos casos mais graves já registrados envolvendo profissionais da área da saúde no DF. Três técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de assassinar pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular localizado em Taguatinga, entre os meses de novembro e dezembro de 2025.

As apurações indicam que os pacientes teriam sido mortos por meio da aplicação deliberada de doses letais de medicamentos diretamente na veia. Em pelo menos um dos casos, a polícia aponta o uso de desinfetante como substância injetada, o que agravou ainda mais a gravidade dos crimes investigados.

A investigação ocorre no âmbito da Operação Anúbis, deflagrada após a identificação de mortes com padrões semelhantes e incompatíveis com os quadros clínicos apresentados pelas vítimas.

O que a polícia já confirmou

De acordo com a PCDF, três pacientes tiveram as mortes confirmadas como resultado de ação criminosa até o momento. As vítimas eram pessoas de diferentes idades, profissões e condições de saúde, o que reforçou a suspeita de homicídio após análise técnica dos prontuários e dos registros hospitalares.

As vítimas confirmadas são:
– uma professora aposentada da rede pública do Distrito Federal
– um servidor público
– um carteiro dos Correios

As autoridades não descartam a existência de outras vítimas, e novas análises estão sendo realizadas para verificar óbitos ocorridos no mesmo período.

Quem são as vítimas identificadas

Professora aposentada

Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, era professora da rede pública do Distrito Federal. Atuou na Regional de Ensino de Ceilândia e lecionou na Escola Classe 03. Entidades representativas da educação destacaram sua trajetória marcada pelo compromisso com a formação de crianças e pela atuação dedicada ao ensino público.

Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos • Reprodução/Redes sociais
Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos • Reprodução/Redes sociais

Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos • Reprodução/Redes sociais

Servidor público

João Clemente Pereira, de 63 anos, era servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Exercia a função de supervisor de manutenção e tinha uma longa carreira no serviço público.

João Clemente Pereira, de 63 anos • Reprodução/Redes sociais
João Clemente Pereira, de 63 anos • Reprodução/Redes sociais

João Clemente Pereira, de 63 anos • Reprodução/Redes sociais

Carteiro

Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, era carteiro e trabalhava em um Centro de Distribuição Domiciliar dos Correios em Brazlândia. Amigos e colegas o descrevem como uma pessoa alegre, prestativa e muito querida no ambiente de trabalho.

Marcos Moreira, de 33 anos • Reprodução/Redes sociais
Marcos Moreira, de 33 anos • Reprodução/Redes sociais

Marcos Moreira, de 33 anos • Reprodução/Redes sociais

Como os crimes teriam sido cometidos

As investigações apontam que um dos técnicos de enfermagem assumiu papel central na execução das ações criminosas. Segundo a polícia, ele acessava indevidamente o sistema interno do hospital, se passando por médico, e alterava prescrições médicas para inserir substâncias ou dosagens incompatíveis com a condição clínica dos pacientes.

Após a fraude no sistema, o técnico retirava os medicamentos na farmácia da unidade hospitalar, preparava as doses e escondia os insumos no jaleco antes de entrar nos quartos da UTI para realizar as aplicações.

Em um dos episódios investigados, a polícia afirma que o técnico teria injetado desinfetante por via intravenosa em uma paciente idosa por mais de dez vezes, após sucessivas paradas cardíacas, o que levanta suspeitas de tentativa deliberada de provocar o óbito.

Atuação em grupo e vigilância do quarto

De acordo com a PCDF, os crimes não teriam sido cometidos de forma isolada. Enquanto as substâncias eram aplicadas, duas técnicas de enfermagem atuavam como apoio, vigiando a porta dos quartos da UTI para impedir a entrada de outros profissionais durante o procedimento.

Essa atuação coordenada reforçou a suspeita de homicídio qualificado e levou à prisão dos três técnicos envolvidos, além da demissão imediata deles do hospital.

Fraude em prontuários e sistemas

Outro ponto central da investigação é a fraude nos prontuários médicos e no sistema de prescrição hospitalar. As autoridades afirmam que houve adulteração de registros, o que inicialmente dificultou a identificação das causas reais das mortes.

Somente após análises técnicas detalhadas e a comparação entre os quadros clínicos, os medicamentos prescritos oficialmente e os eventos ocorridos na UTI, os investigadores identificaram inconsistências graves que levaram à abertura do inquérito.

Situação dos investigados

Os três técnicos de enfermagem presos foram indiciados por homicídio qualificado. A Polícia Civil segue reunindo provas, colhendo depoimentos de outros funcionários da unidade hospitalar e analisando registros médicos para identificar se o número de vítimas pode ser maior.

Até o momento, não há confirmação oficial de quantas mortes adicionais podem estar relacionadas ao caso, e a polícia trata essa possibilidade com cautela.

Hospital e medidas adotadas

O hospital onde os crimes ocorreram informou que colaborou com as investigações desde os primeiros indícios e que reforçou protocolos internos de segurança, controle de acesso a medicamentos e auditoria de sistemas.

As autoridades ressaltam que a apuração busca esclarecer responsabilidades individuais e que não há indícios, até o momento, de envolvimento institucional da direção da unidade.

Por que o caso chama atenção

O caso provoca forte comoção por envolver um ambiente destinado à preservação da vida. A UTI, espaço de cuidados intensivos, tornou-se o cenário de crimes graves que abalaram a confiança de pacientes, familiares e profissionais da saúde.

Além do impacto humano, o episódio levanta discussões sobre:
– segurança hospitalar
– controle de acesso a sistemas médicos
– fiscalização de medicamentos de uso restrito
– prevenção de fraudes em ambientes clínicos

O que ainda está sob investigação

– Possível existência de outras vítimas
– Extensão exata da fraude em prontuários
– Motivação dos crimes
– Se houve falhas sistêmicas que facilitaram as ações

As autoridades afirmam que novas informações só serão divulgadas após a conclusão de etapas técnicas da investigação.

Sobre o autor
Thamires Souza é a criadora e editora do Mente de Curioso, um blog dedicado à divulgação de curiosidades, ciência, história e fatos explicados de forma clara, responsável e informativa.