Mulher é presa após atropelar e matar namorado e jovem em moto no Campo Limpo, zona sul de São Paulo
Mulher é presa após atropelar e matar namorado e jovem em moto no Campo Limpo, zona sul de São Paulo; Polícia Civil investiga o caso.
Thamires Souza
12/30/20254 min read


Geovanna Proque da Silva, estudante de medicina veterinária, matou Raphael Canuto Costa e Joyce Corrêa da Silva • Reprodução CNN
A Polícia Civil investiga um duplo homicídio ocorrido na madrugada de domingo, 28 de dezembro de 2025, no bairro do Campo Limpo, na São Paulo. O caso resultou na morte de Raphael Canuto Costa e Joyce Corrêa da Silva, que estavam em uma motocicleta no momento em que foram atropelados. A autora do crime, Geovanna Proque da Silva, de 21 anos, era namorada de Raphael e foi presa em flagrante, tendo a prisão posteriormente convertida em preventiva pela Justiça.
As informações foram divulgadas por veículos de imprensa, entre eles a CNN Brasil, e confirmadas por autoridades policiais responsáveis pela investigação.
O que já foi confirmado pelas autoridades
De acordo com a Polícia Civil e relatos de testemunhas, o crime teve início após um churrasco realizado na residência de Raphael, ainda na noite de sábado (27) e madrugada de domingo (28). Durante o evento, Geovanna teria enviado mensagens ao namorado, demonstrando ciúmes por conta da presença de outra mulher no local.
Testemunhas relataram à polícia que a mulher que motivou o ciúme seria amiga de infância de Raphael, sem qualquer envolvimento amoroso com ele. Ainda assim, mensagens trocadas indicam um tom de ameaça. Em uma delas, Geovanna teria escrito: “Ou você resolve ou eu resolvo”.
Pouco tempo depois, ela foi até a casa de Raphael acompanhada da madrasta, cuja identidade não foi divulgada oficialmente. Pessoas presentes afirmaram que as duas tentaram entrar na residência para iniciar uma briga, sendo contidas pelo próprio Raphael.
Perseguição em via pública
Após o confronto inicial, Raphael saiu do local em sua motocicleta. Em seguida, Geovanna e a madrasta entraram em um automóvel e passaram a seguir o jovem.
Segundo a apuração policial, Raphael teria parado em uma adega próxima, onde encontrou Joyce Corrêa da Silva, que passou a acompanhá-lo na garupa da moto. A partir desse momento, Geovanna perseguiu o casal por cerca de 500 metros, em alta velocidade.
A perseguição terminou quando o carro conduzido por Geovanna atingiu violentamente a motocicleta. O impacto foi tão forte que a moto foi arremessada aproximadamente 30 metros à frente. Raphael e Joyce morreram no local.
Outras vítimas e cenas registradas
Além das duas mortes, a polícia confirmou que um terceiro homem também foi atropelado durante a ação. Ele caiu, bateu a cabeça e as costas na calçada, foi socorrido e sobreviveu, necessitando de atendimento médico e suturas.
Imagens de câmeras de segurança da região registraram o momento do atropelamento e passaram a integrar o inquérito policial. Segundo a Polícia Civil, os vídeos são considerados elementos centrais para a reconstrução da dinâmica do crime.


Reprodução/Redes Sociais
Frase após o crime e repercussão
Instantes após o atropelamento, Geovanna foi até o restaurante onde trabalhava o melhor amigo de Raphael. Segundo relato divulgado pela imprensa, ela teria dito ao jovem: “Você não vai ver seu amigo não? Que eu acabei de matar”, mencionando Joyce de forma ofensiva.
A declaração, relatada por testemunhas, foi incluída no conjunto de informações analisadas pela polícia e reforçou a gravidade e a intencionalidade do ato, segundo investigadores.
Tentativa de fuga e prisão
Após o crime, Geovanna tentou fugir, mas acabou passando mal, sentindo tonturas e caindo em uma calçada próxima. Populares tentaram agredi-la, e policiais militares precisaram intervir para retirá-la do local e evitar linchamento.
Ela foi levada para atendimento médico, apresentando cortes superficiais nos braços e no pescoço, e depois encaminhada à delegacia. A mulher foi presa em flagrante e, após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva, mantendo-a detida.


Mulher perseguiu Raphael Canuto Costa e Joyce Corrêa da Silva por 500 metros e os atropelou • Reprodução CNN
Investigação e enquadramento legal
O caso foi registrado como homicídio doloso duplamente qualificado — quando há intenção de matar e circunstâncias agravantes — além de lesão corporal, devido à terceira vítima ferida.
As investigações estão sob responsabilidade do 37º Distrito Policial (Campo Limpo), que apura:
a dinâmica completa do atropelamento;
a participação ou não de terceiros;
o histórico de relacionamento entre a autora e a vítima;
e as circunstâncias psicológicas e emocionais envolvidas.
Até o momento, não há confirmação de coautoria da madrasta, que aparece apenas como acompanhante nos momentos anteriores ao crime.
Histórico de saúde mental
Em depoimento inicial aos policiais, Geovanna informou que já havia sido diagnosticada com transtorno depressivo grave, fazia uso de medicação antidepressiva e relatou tentativas anteriores de tirar a própria vida.
Apesar dessas informações constarem no registro policial, autoridades destacam que o diagnóstico não interfere automaticamente na responsabilização penal, cabendo à Justiça avaliar, ao longo do processo, a eventual necessidade de perícias complementares.
Durante o interrogatório formal, Geovanna optou por permanecer em silêncio, acompanhada de sua advogada, direito garantido pela legislação brasileira.
Velórios e comoção
Os velórios e sepultamentos de Raphael e Joyce ocorreram na manhã de segunda-feira (29), em cemitérios da Grande São Paulo. Familiares e amigos lamentaram as mortes, e o caso gerou forte repercussão nas redes sociais, reacendendo debates sobre violência interpessoal, ciúmes e conflitos em relacionamentos.
Um caso sob apuração contínua
A Polícia Civil reforça que o inquérito segue em andamento e que novos detalhes só serão divulgados após a conclusão das diligências, incluindo laudos periciais, análises técnicas dos vídeos e oitivas de testemunhas.
Autoridades também ressaltam que, apesar da comoção pública, qualquer avaliação definitiva sobre motivações, agravantes ou circunstâncias legais depende da apuração judicial, respeitando o devido processo legal.
