Lula pode ter de desembolsar R$ 5,37 bilhões para cargo vitalício em conselho de paz sobre Gaza
Convite de Trump a Lula para conselho de paz sobre Gaza prevê possível contribuição de US$ 1 bilhão; governo brasileiro ainda avalia decisão.
Escrito por: Thamires Souza
1/19/20264 min read


Encontro entre Donald Trump e Lula • Reprodução CNN Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um Conselho de Paz da Faixa de Gaza, iniciativa internacional voltada à mediação política do conflito no Oriente Médio. No entanto, um ponto específico do projeto que estrutura o conselho gerou forte repercussão: a possibilidade de exigência de uma contribuição financeira equivalente a US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,37 bilhões, para países que desejem manter participação permanente no grupo.
Até o momento, o governo brasileiro não confirmou se Lula aceitará o convite. Também não há decisão oficial sobre eventual adesão do Brasil às condições financeiras mencionadas no projeto.
Convite integra nova fase de proposta internacional
O convite a Lula foi feito no sábado, como parte de uma estratégia norte-americana de reunir líderes e ex-líderes mundiais, além de representantes do governo dos Estados Unidos, em um grupo restrito que atuaria como interlocutor político em negociações relacionadas à Faixa de Gaza.
A proposta surge em meio à continuidade da guerra entre Israel e o Hamas, que já provocou milhares de mortes, deslocamentos em massa e agravamento da crise humanitária na região. A ideia central do conselho seria criar um espaço político permanente para articulação diplomática.
Estatuto prevê mandato limitado e contribuição para permanência
De acordo com o projeto de estatuto do conselho, os integrantes teriam mandato inicial de três anos, com possibilidade de renovação. No entanto, o texto prevê uma exceção relevante: países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em recursos financeiros no primeiro ano poderiam obter filiação permanente, sem a limitação temporal aplicada aos demais membros.
O dispositivo estabelece que a contribuição funcionaria como demonstração de compromisso profundo com a paz, a segurança e a reconstrução da região. O valor, porém, chamou atenção por seu montante elevado e pelas implicações políticas e orçamentárias para países convidados.
Casa Branca nega exigência de taxa obrigatória
Após a divulgação das informações sobre a possível exigência financeira, a Casa Branca negou oficialmente que exista uma taxa mínima obrigatória para integrar o conselho. Segundo a posição do governo norte-americano, não há cobrança compulsória, e a menção ao valor no estatuto teria caráter voluntário e simbólico.
Em comunicado público, autoridades americanas afirmaram que a proposta busca apenas oferecer filiação permanente a países parceiros que demonstrem engajamento significativo com a paz e a estabilidade da região, sem impor obrigação financeira como شرط para participação.
Essa divergência entre o conteúdo do estatuto e a versão apresentada oficialmente gerou dúvidas sobre o real funcionamento do conselho e suas regras finais.
Governo brasileiro ainda não se manifestou
Até o momento, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não divulgaram posicionamento oficial sobre o convite nem sobre as condições descritas no projeto. Fontes do governo indicam que o tema está sendo avaliado com cautela, considerando os impactos diplomáticos, financeiros e políticos de uma eventual participação.
A ausência de decisão reflete a complexidade do tema, que envolve não apenas a política externa brasileira, mas também questões orçamentárias e o papel do Brasil em iniciativas internacionais de alto risco político.
Histórico do Brasil na defesa do cessar-fogo
Desde o início do conflito em Gaza, o Brasil tem adotado posição pública favorável ao cessar-fogo imediato, à proteção da população civil e à retomada das negociações com base na solução de dois Estados.
Lula tem defendido essas posições em fóruns multilaterais e já fez declarações críticas à condução da guerra, reforçando o papel da diplomacia e do direito internacional humanitário. Esse histórico faz com que o Brasil seja visto como um ator potencialmente relevante em iniciativas de mediação.
Debate sobre legitimidade e governança do conselho
Especialistas em relações internacionais avaliam que a proposta do conselho levanta questionamentos sobre legitimidade, governança e transparência, especialmente diante da ausência de clareza sobre regras, financiamento e poder decisório do grupo.
A possibilidade de filiação permanente vinculada a contribuições financeiras elevadas também gera debate sobre desigualdade de influência entre países e sobre a compatibilidade da iniciativa com mecanismos multilaterais já existentes.
Impacto político e repercussão internacional
A notícia sobre a eventual exigência de pagamento bilionário para permanência vitalícia no conselho repercutiu internacionalmente e gerou reações diversas. Para críticos, a proposta pode ser interpretada como uma forma de condicionar influência política à capacidade financeira dos países participantes.
Defensores, por outro lado, argumentam que contribuições robustas seriam essenciais para financiar reconstrução, ajuda humanitária e iniciativas de segurança em uma das regiões mais instáveis do mundo.
Próximos passos ainda indefinidos
Não há confirmação sobre a composição final do Conselho de Paz, nem sobre quando suas regras serão oficialmente consolidadas. Também não está claro se o estatuto divulgado será mantido integralmente ou sofrerá alterações após críticas e questionamentos.
Enquanto isso, o governo brasileiro segue sem anunciar se Lula aceitará o convite ou se participará de qualquer forma da iniciativa proposta pelos Estados Unidos.
Conclusão
O convite feito a Lula para integrar um conselho internacional de paz sobre Gaza coloca o Brasil no centro de um debate geopolítico complexo. A menção a uma contribuição de US$ 1 bilhão para obtenção de cargo vitalício, ainda que contestada pela Casa Branca, adiciona uma camada de controvérsia à proposta.
A decisão brasileira dependerá de avaliação diplomática, política e financeira cuidadosa, em um cenário marcado por guerra prolongada, crise humanitária e disputas sobre os rumos da mediação internacional no Oriente Médio.
Sobre o autor
Thamires Souza é a criadora e editora do Mente de Curioso, um blog dedicado à divulgação de curiosidades, ciência, história e fatos explicados de forma clara, responsável e informativa.
