Homem é preso suspeito de matar mulher e filho adolescente autista na Grande BH
Homem é preso suspeito de matar mulher e o filho autista na Grande BH. Polícia indiciou o investigado por feminicídio e homicídio qualificado.
THAMIRES SOUZA
1/3/20265 min read


Filho autista morre em casa após a mãe ser brutalmente assassinada na - Grande BH - Imagem Redes Sociais
Um homem de 37 anos foi preso na Região Metropolitana de Belo Horizonte suspeito de envolvimento na morte de uma mulher e do filho dela, um adolescente autista de 13 anos. O caso, que ocorreu em setembro de 2024, voltou a ganhar repercussão após a prisão do investigado e a conclusão do inquérito policial, que resultou no indiciamento por feminicídio e homicídio qualificado.
O suspeito, identificado como Bruno Alexandre Ferreira, foi detido no município de Santa Luzia. As vítimas são Heddy Lamar de Araújo, de 44 anos, técnica em enfermagem, e o filho dela, Bernardo Lucas de Araújo Ribeiro, de 13 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista e dependente de cuidados contínuos.
As informações foram confirmadas pela Polícia Civil de Minas Gerais e divulgadas pelo MG1.
Crimes ocorreram em setembro de 2024
De acordo com as investigações, os crimes aconteceram em setembro de 2024, mas só foram completamente esclarecidos após a identificação do corpo da mulher e a posterior descoberta da morte do adolescente.
Heddy Lamar desapareceu na madrugada do dia 25 de setembro. O corpo dela foi localizado no mesmo dia, em uma via pública do município de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sem documentos. A identificação oficial da vítima só ocorreu oito dias depois, o que dificultou a comunicação imediata com familiares e conhecidos.
Enquanto isso, Bernardo permaneceu sozinho no apartamento onde morava com a mãe, em Belo Horizonte.
Relacionamento extraconjugal é apontado como motivação
Segundo a Polícia Civil, Heddy Lamar mantinha há cerca de dois anos um relacionamento extraconjugal com o suspeito, que ainda era oficialmente casado. As investigações indicam que a vítima desejava que a relação fosse assumida publicamente, o que teria provocado conflitos.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, após o fim do casamento, o suspeito teria passado a nutrir ódio em relação à vítima, o que culminou na decisão de matá-la. Essa motivação é considerada, pela polícia, um dos elementos que caracterizam o crime como feminicídio qualificado.


Homem é indiciado por mortes de mulher e de adolescente autista na Grande BH - Imagem: itatiaia
Últimos momentos da vítima foram registrados por câmeras
Imagens de câmeras de segurança ajudaram a reconstituir os últimos momentos de Heddy Lamar com vida. Por volta das 2h15 da madrugada, ela saiu de casa e solicitou uma motocicleta por aplicativo.
O trajeto registrado mostra que Heddy seguiu até a entrada do Hospital Risoleta Neves, na Região Norte de Belo Horizonte. No local, ela encontrou o suspeito, que também estava em uma motocicleta. Esse foi um dos últimos registros visuais da vítima antes do crime.
Mulher foi morta por asfixia e perfurações
A perícia constatou que Heddy Lamar foi asfixiada e apresentava perfurações provocadas por objeto cortante, possivelmente uma faca ou tesoura. As circunstâncias do crime indicam o uso de meio cruel e a impossibilidade de defesa da vítima, fatores que agravam a acusação.
O corpo foi encontrado na Avenida Lauro Soares, no bairro Nova York, em Vespasiano. Somente após a confirmação da identidade foi possível avançar na investigação sobre o desaparecimento do filho da vítima.
Adolescente autista morreu de fome e sede, aponta investigação
No mesmo dia em que o corpo de Heddy foi oficialmente identificado, o pai de Bernardo, que não morava com a criança, registrou o desaparecimento do filho. Ele relatou à polícia que estranhou a falta de resposta da ex-companheira e ressaltou que o adolescente dependia integralmente de cuidados.
Bernardo tinha autismo nível dois de suporte, condição que exige acompanhamento constante e limita a capacidade de comunicação e autonomia. Segundo a polícia, o menino não tinha condições de pedir socorro.
No dia 3 de outubro, policiais foram até o apartamento da família, em Belo Horizonte, e encontraram o adolescente morto. A investigação concluiu que ele morreu de fome e sede, após ser deixado sozinho por vários dias.
Polícia aponta que suspeito assumiu o risco da morte do adolescente
Em declaração à imprensa, o delegado Marcos Vinícius Martins afirmou que o investigado assumiu o risco da morte do adolescente ao matar a mãe, sabendo que ela era a única responsável pelos cuidados do filho.
“Com a sua conduta, ele assume o risco de morte desse menor porque sabia que Heddy Lamar tinha um filho autista, que não tinha capacidade nenhuma de pedir socorro”, afirmou o delegado.
Segundo a polícia, Heddy saiu de casa acreditando que retornaria com vida e, por isso, deixou o filho sozinho no apartamento.


Heddy Lamar de Araújo — Foto: Reprodução/redes sociais
Suspeito nega os crimes, mas admite conhecer a vítima
Durante depoimento, Bruno Alexandre Ferreira negou ter cometido os crimes, mas confirmou que conhecia Heddy Lamar. A defesa do investigado não foi localizada até a última atualização do caso.
A Polícia Civil afirma que o inquérito reuniu provas técnicas, testemunhais e registros de imagens, que embasaram o pedido de prisão e o indiciamento.
Indiciamento por feminicídio e homicídio qualificado
O suspeito foi indiciado pelos seguintes crimes:
Feminicídio qualificado, com agravantes de:
Motivo torpe
Meio cruel
Impossibilidade de defesa da vítima
Homicídio qualificado contra menor de 14 anos, com aumento de pena devido à condição de vulnerabilidade, já que o adolescente era autista e dependente de cuidados permanentes.
As penas previstas para esses crimes, somadas, podem resultar em décadas de reclusão, conforme o Código Penal brasileiro.
Caso expõe vulnerabilidade de pessoas com deficiência
O caso chama atenção para a situação de extrema vulnerabilidade de crianças e adolescentes com deficiência, especialmente aqueles que dependem integralmente de cuidadores. Especialistas ressaltam que a ausência repentina do responsável pode ter consequências fatais quando não há uma rede de apoio imediata.
Embora esse aspecto não tenha sido tratado como crime autônomo, ele foi considerado fundamental para o agravamento da acusação no inquérito policial.
Investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que o inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público. Caberá agora à Justiça decidir sobre o andamento da ação penal, a manutenção da prisão e a responsabilização do acusado.
Até o momento, não há informações oficiais sobre a data do julgamento.
Conclusão
A prisão de Bruno Alexandre Ferreira encerra uma das etapas mais importantes de um caso que chocou a Região Metropolitana de Belo Horizonte pela gravidade dos fatos e pelas circunstâncias envolvendo um adolescente com deficiência.
Com base nas informações apuradas, a polícia sustenta que a morte da mulher e do filho foi resultado de uma sequência de decisões que ignoraram completamente a vulnerabilidade das vítimas. O caso segue agora para análise do Judiciário, que deverá avaliar as provas reunidas ao longo da investigação.
