Gêmeas do veneno: como a polícia desvendeu o esquema de homicídios por envenenamento em SP e RJ

A polícia desvendou o caso das “Gêmeas do Veneno”, responsáveis por quatro homicídios por envenenamento em SP e RJ entre janeiro e maio de 2025. Entenda como as irmãs Ana Paula e Roberta Veloso Fernandes agiam, quem foram as vítimas e o que revelou a investigação.

10/25/20255 min read

Nos últimos anos, um caso de homicídios por envenenamento envolvendo duas irmãs gêmeas chocou as regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, mobilizando equipes de investigação criminal, perícia forense e promotores públicos em uma das operações mais complexas dos últimos tempos.

O episódio ficou conhecido pela forma meticulosa como as suspeitas usavam substâncias tóxicas para encobrir seus crimes, além de manipular parentes e contatos próximos. A seguir, entenda quem eram as envolvidas, como o esquema funcionava, como a polícia chegou às provas e quais foram as consequências legais.

Quem eram as “gêmeas do veneno”

As duas mulheres, identificadas como [Nomes com iniciais], nasceram e cresceram em uma cidade do interior do estado de São Paulo. Sem histórico criminal anterior conhecido, elas chamaram atenção da polícia apenas quando uma sequência de mortes em suas redes sociais e círculos familiares começou a levantar suspeitas.

Segundo investigações, as duas irmãs mantinham uma rotina discreta, mas com comportamento social aparentemente descompassado com relatos de falecimentos suspeitos entre parentes e colegas próximos nos estados de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

O início das suspeitas

O caso começou a ganhar destaque após a morte de várias pessoas de forma aparentemente natural, todas ligadas a pessoas próximas às gêmeas. Em muitos cenários, os óbitos foram inicialmente atribuídos a causas comuns, como doenças pré-existentes ou complicações de saúde.

No entanto, médicos legistas e peritos forenses responsáveis pelos laudos de alguns desses casos começaram a identificar sinais que não condiziam com mortes naturais, apontando presença de substâncias tóxicas em níveis incompatíveis com causas naturais de óbito.

Como a polícia descobriu o esquema

📌 1. Perícia forense detalhada

O papel da perícia foi crucial. Exames toxicológicos avançados detectaram substâncias venenosas no organismo de vítimas cujo quadro clínico inicial não justificava a presença de toxinas — um dos principais sinais que chamaram a atenção das autoridades.

Exames complementares foram realizados em amostras de sangue, urina e tecidos, revelando a presença de compostos que não fazem parte do metabolismo humano, caracterizando envenenamento intencional.

📌 2. Cruzamento de dados e padrões

Investigadores perceberam padrões incomuns:

  • várias vítimas tinham ligação direta com as suspeitas;

  • as gêmeas frequentemente estavam presentes ou em contato próximo nas datas dos episódios;

  • relatos de ingestão de medicamentos ou substâncias “normais” pouco antes dos casos se agravarem.

Essa análise comparativa de dados foi fundamental para elevar o caso de simples coincidências a um padrão criminal claro.

📌 3. Interceptações e evidências documentais

Após a permissão judicial, a polícia realizou interceptações telefônicas, análise de mensagens e verificou registros de comunicação entre as irmãs e possíveis fornecedores de substâncias controladas.

Diversos documentos, registros de compras de produtos químicos e conversas codificadas foram usados como provas complementares, reforçando a hipótese de que as duas operavam de forma premeditada.

Investigação e prisões

Com as provas acumuladas — incluindo laudos toxicológicos, padrões de comportamento, comunicação e histórico de vendas de substâncias químicas suspeitas — a polícia solicitou mandados de prisão e busca e apreensão.

As gêmeas foram detidas, e durante as ações policiais, foram encontrados materiais que reforçaram as suspeitas de envenenamento, como recipientes com vestígios de compostos tóxicos, anotações suspeitas e registros de contato com vítimas.

Processo judicial e consequências legais

Após a prisão, o caso foi encaminhado ao Ministério Público, que denunciou as suspeitas por homicídio qualificado por envenenamento e outros crimes correlatos, incluindo participação em organização criminosa e uso indevido de substâncias perigosas.

O processo seguiu para julgamento, com perícia, depoimentos de testemunhas e análise das evidências coletadas pela polícia e pela perícia técnica. As acusadas enfrentaram:

  • Acusações formais de homicídio

  • Prisão preventiva durante o andamento do processo

  • Possíveis penas elevadas em caso de condenação

Esse tipo de crime, considerado grave pela legislação brasileira, pode acarretar longos anos de prisão, especialmente quando há premeditação, relação de confiança com as vítimas e uso deliberado de substâncias tóxicas.

Por que o caso chocou

O episódio ganhou repercussão nacional por vários motivos:

📌 Método de crime incomum — Envenenamento doloso é menos frequente do que homicídios por outras formas.
📌 Vínculo com vítimas — As vítimas eram muitas vezes conhecidas ou parentes próximos.
📌 Dificuldade de detecção — Inicialmente, os casos pareceram naturais, o que retardou a descoberta.
📌 Complexidade investigativa — Exigiu perícia avançada e investigação integrada entre estados.

Reflexões sobre crimes por envenenamento

Crimes cometidos por envenenamento sempre apresentam desafios específicos:

  • A detecção pode ser tardia, pois sintomas iniciais podem se assemelhar a doenças comuns.

  • Exames toxicológicos avançados são caros e nem sempre realizados inicialmente.

  • Redes sociais e comunicação pessoal dificultam padrões diretos de suspeita.

Por isso, a combinação de perícia técnica e investigação criminal integrada foi essencial para elucidar este caso.

Conclusão

O caso das chamadas “gêmeas do veneno” evidencia como a polícia moderna pode desvendar crimes ocultos por trás de aparentes mortes naturais. A atuação coordenada entre peritos, investigadores e órgãos judiciais tornou possível não apenas identificar os responsáveis, mas também reunir provas fortes para conduzir um processo robusto.

Mais do que um caso policial, ele mostra a importância de investigação científica e cruzamento de informações no combate a crimes complexos.

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