Exportadores de café afirmam que ‘piorou para o Brasil’ após redução parcial de tarifas dos EUA; setores de carne e frutas veem avanço
Exportadores de café criticam manutenção da tarifa de 40% pelos EUA e afirmam que medida favoreceu concorrentes. Setores de carnes e frutas veem avanços.
11/15/20254 min read
Em novembro de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou uma redução em tarifas de importação que atingem cerca de 200 produtos agrícolas e industriais, incluindo itens do agronegócio brasileiro como café, carnes e frutas. A medida foi vista por alguns setores como um avanço positivo em negociações comerciais, mas especialistas e exportadores de café dizem que a situação do Brasil, na prática, piorou em relação à concorrência global. Rádio Clube FM
O que mudou nas tarifas dos EUA
A Casa Branca, liderada pelo presidente Donald Trump, publicou um decreto eliminando uma tarifa global adicional de cerca de 10% sobre vários produtos brasileiros — parte de um esforço para aliviar custos ao consumidor americano e responder à inflação interna. No entanto, para produtos como o café brasileiro, permaneceu uma sobretaxa de 40% que incide especificamente sobre o Brasil. Rádio Clube FM
Esse diferencial tarifário coloca o Brasil em desvantagem competitiva frente a concorrentes diretos, como Colômbia, Vietnã e Etiópia, cujas exportações para os EUA passaram a contar com tarifas bem menores ou até isentas, dependendo dos acordos bilaterais que já tinham sido estabelecidos. Rádio Clube FM
Por que exportadores de café dizem que “piorou”
Os exportadores brasileiros de café, representados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), afirmam que a redução geral de tarifas não trouxe alívio real ao setor porque o principal mercado consumidor continua aplicando um imposto elevado sobre o café brasileiro.
Segundo representantes da entidade, a tarifa de 40% continua proibitiva e afeta diretamente a competitividade do produto no mercado norte-americano — que é tradicionalmente o maior destino para o café exportado pelo Brasil. DatamarNews
Exportadores também destacam dados de queda nas vendas para os EUA: entre agosto e outubro, o volume de café brasileiro importado pelos americanos caiu mais de 50% em comparação com o mesmo período de 2024 em parte devido às tarifas altas, o que reflete perda de mercado para concorrentes com tarifas mais baixas. Rádio Clube FM
Na visão desses exportadores, a redução parcial de tarifas melhorou para os concorrentes e piorou para o Brasil, porque os rivais começaram a ganhar maior participação em segmentos como blends de café no mercado americano, deslocando produtividades brasileiras tradicionalmente fortes. Rádio Clube FM.



Impacto diferenciado nos setores de carne e frutas
Em contraste com o café, outros setores do agronegócio brasileiro reagiram com uma perspectiva mais positiva à medida. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou a redução parcial das tarifas como “um sinal promissor” de que o mercado americano pode se abrir mais gradualmente ao longo do tempo, mesmo que a eliminação total de taxas ainda não tenha ocorrido. Rádio Clube FM
Da mesma forma, produtores e exportadores de frutas, representados pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), viram a decisão como um avanço relevante. Porém, alertaram que a exclusão da uva — um dos principais itens exportados — da lista de isenções ainda traz desafios para o setor, que sofreu quedas significativas nas exportações recentemente. Rádio Clube FM
Por que o café ficou em desvantagem
A explicação para a reação dos exportadores de café está no diferencial das tarifas aplicadas pelos EUA. Enquanto a retirada completa da sobretaxa beneficiaria diretamente os exportadores brasileiros, a manutenção da alíquota adicional de 40% mantém um custo elevado sobre o café brasileiro, mesmo após a retirada da tarifa global de 10%. DatamarNews
Isso contrasta com a situação de países como Colômbia e Vietnã, cujos produtos entram no mercado americano com tarifas zeradas ou significativamente menores, dando-lhes vantagem competitiva em contratos de longo prazo e formação de novos clientes. Rádio Clube FM
Essa assimetria preocupa o setor cafeeiro brasileiro, que teme perder participação estrutural no principal destino de exportação justamente em um momento em que o comércio global de cafés especiais cresce e os consumidores americanos exibem demanda consistente. DatamarNews
O que isso significa para o comércio bilateral
A medida anunciada pelos Estados Unidos é parte de uma conjuntura maior de relações comerciais entre Brasil e EUA em 2025, que já inclui negociações e tensões sobre tarifas desde o início do ano. Em abril de 2025, os EUA impuseram tarifas iniciais de 10% sobre produtos brasileiros, e mais tarde em julho ampliaram a sobretaxa para muitos itens, como parte de uma estratégia protecionista que também gerou resposta diplomática do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Wikipédia
No âmbito dessa disputa, os setores brasileiros têm visto efeitos mistos: alguns segmentos como café sentem impacto negativo pela permanência de tarifas altas, enquanto outros, como carne bovina e frutas, enxergam oportunidades de avanço conforme negociações comerciais continuam. Rádio Clube FM
Conclusão
A redução parcial de tarifas de importação pelos Estados Unidos trouxe uma leitura complexa para o agronegócio brasileiro em 2025.
➡️ Para o café brasileiro, a medida não resolveu a desvantagem competitiva no principal mercado consumidor global — uma vez que a sobretaxa de 40% permanece, enquanto concorrentes oferecem tarifas zero ou menores. Rádio Clube FM
➡️ Para os setores de carne e frutas, a retirada de algumas taxas foi vista com mais otimismo e potencial para ampliar o acesso ao mercado americano a longo prazo. Rádio Clube FM
O cenário aponta para a necessidade de negociações comerciais mais amplas entre Brasil e Estados Unidos, com foco em ajustes tarifários que tornem os produtos brasileiros mais competitivos, especialmente num dos maiores mercados consumidores do mundo.
Grão de café — Foto: Mike Kenneally/Unplash
