EUA interceptam terceiro navio petroleiro próximo à Venezuela em meio a escalada de sanções
EUA interceptam terceiro petroleiro perto da Venezuela em dez dias, ampliando sanções e elevando tensões com o governo de Nicolás Maduro.
Thamires Souza
12/21/20253 min read

Os Estados Unidos interceptaram um terceiro navio petroleiro nas proximidades da costa da Venezuela, segundo informações divulgadas neste domingo (21) por agências internacionais de notícias. Os relatos foram publicados pela Bloomberg e pela Reuters, que apresentaram versões parcialmente diferentes sobre a operação.
Até o momento, autoridades americanas não informaram o local exato nem a data precisa da interceptação, e também não houve confirmação oficial sobre a abordagem física da embarcação.
O que se sabe sobre o navio interceptado
De acordo com a Bloomberg, o navio seria o petroleiro Bella 1, que navegava sob bandeira panamenha e estaria a caminho da Venezuela para ser carregado com petróleo. A agência afirmou que forças dos EUA já teriam embarcado na embarcação.
A Reuters, por sua vez, informou que o navio foi interceptado ou perseguido, mas que a abordagem direta ainda não havia ocorrido até a última atualização. Um oficial do governo americano declarou à agência que o petroleiro opera sob sanções econômicas e utiliza bandeira falsa, prática comum em operações conhecidas como “frota fantasma”.
📌 Importante: as duas agências confirmam a interceptação, mas divergem sobre o estágio da operação, o que indica que as informações ainda estão em consolidação.
Estratégia de pressão dos EUA contra a Venezuela
Se confirmada, esta será a terceira interceptação de petroleiros em pouco mais de dez dias e a segunda apenas neste fim de semana. A ação integra uma estratégia de pressão econômica do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o regime do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Na semana passada, Trump anunciou um “bloqueio total” a petroleiros sujeitos a sanções que entrem ou saiam da Venezuela, medida interpretada por analistas como uma elevação significativa do tom das sanções.
Segundo um oficial ouvido pela Reuters, interceptações podem assumir diferentes formas, como escolta naval, vigilância aérea ou aproximação sem desembarque imediato de tropas.


Trump e Maduro — Foto: AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez
Reação do governo venezuelano
Pouco após a divulgação da nova interceptação, Nicolás Maduro afirmou que a Venezuela enfrenta uma “campanha de agressão”, citando “terrorismo psicológico” e “corsários que assaltam petroleiros”. Não ficou claro se a declaração se referia especificamente à ação deste domingo.
Em manifestações anteriores, o governo venezuelano classificou o bloqueio naval dos EUA como “pirataria internacional”, uma “ameaça grotesca” e “absolutamente irracional”, além de afirmar que as apreensões “não ficarão impunes”.
Até a última atualização desta reportagem, o governo dos EUA não havia se pronunciado oficialmente sobre a nova interceptação.
Histórico recente de apreensões
Além do navio interceptado neste domingo, os Estados Unidos apreenderam o petroleiro Centuries no sábado (20) e, no dia 10 de dezembro, interceptaram o Skipper. Nem todas as embarcações apreendidas constavam formalmente na lista pública de sanções americanas, segundo a Reuters.
Desde 2019, quando Washington ampliou as sanções ao setor energético venezuelano, transportadores e compradores passaram a recorrer a navios com registros irregulares, sistemas de rastreamento desligados e bandeiras de conveniência para driblar restrições.


Esta é a segunda apreensão de um navio petroleiro em pouco mais de um mêsFoto : Reprodução/@Sec_Noem/X
Por que o petróleo venezuelano é estratégico
A Energy Information Administration (EIA) afirma que a Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris, o equivalente a aproximadamente 17% das reservas globais conhecidas.
Apesar do enorme potencial, grande parte do petróleo venezuelano é extra-pesado, exigindo tecnologia avançada e altos investimentos — fatores limitados pelas sanções e pela deterioração da infraestrutura local.
Segundo a EIA, esse tipo de petróleo é particularmente adequado às refinarias dos EUA, sobretudo na Costa do Golfo, o que ajuda a explicar o interesse estratégico de Washington na região.
Impactos econômicos e cenário global
Reportagens recentes da Bloomberg indicam que a Venezuela já enfrenta limitações na capacidade de armazenamento de petróleo, à medida que navios encontram dificuldades para atracar ou deixar portos do país.
A China permanece como a maior compradora do petróleo venezuelano, respondendo por cerca de 4% de suas importações, com embarques estimados em mais de 600 mil barris por dia em dezembro, segundo analistas ouvidos pela Reuters.
No curto prazo, o mercado global segue relativamente abastecido. No entanto, especialistas alertam que a retirada de até um milhão de barris diários da oferta internacional, caso o bloqueio se prolongue, pode pressionar os preços do petróleo para cima.
