Caso Victória Manoelly: familiares relatam presença de PMs no velório em Guaianases

Caso Victória Manoelly: família relata presença de viaturas da PM no velório em Guaianases; policial acusado está preso preventivamente.

Thamires Souza

12/31/20254 min read

Jovem de 16 anos morre baleada em SP; família diz que tiro partiu de PM durante abordagem — Foto: TV Globo/Reprodução

Adolescente de 16 anos morreu após disparo de policial militar; família diz ter se sentido intimidada por viaturas durante cerimônia de despedida

A morte da adolescente Victória Manoelly dos Santos, de 16 anos, durante uma ação da Polícia Militar na zona leste de São Paulo, segue gerando repercussão e questionamentos. Além das circunstâncias do disparo que atingiu a jovem, familiares relataram à imprensa que policiais militares circularam com viaturas ao redor do cemitério durante o velório, o que teria causado medo e sensação de intimidação.

O caso ocorreu no bairro de Guaianases, onde Victória foi atingida por um tiro disparado durante uma abordagem policial envolvendo seu irmão. As informações foram publicadas pelo Ponte Jornalismo, veículo independente especializado em direitos humanos e violência estatal.

O que aconteceu na abordagem policial

De acordo com as informações apuradas, Victória Manoelly foi baleada durante uma abordagem realizada por policiais militares contra seu irmão, Kauê. O disparo que atingiu a adolescente partiu da arma de um sargento da Polícia Militar.

A jovem não era o alvo da ação policial. Ainda assim, acabou sendo atingida pelo tiro e não resistiu aos ferimentos. O caso gerou comoção na comunidade local e passou a ser acompanhado por entidades de direitos humanos.

Conclusão do inquérito da Polícia Civil

O inquérito foi conduzido pela Polícia Civil de São Paulo e teve sua conclusão divulgada posteriormente. Segundo o relatório final, o sargento Thiago Guerra, responsável pelo disparo, agiu com dolo eventual.

De acordo com o entendimento da Polícia Civil, o policial assumiu o risco de matar ao desferir uma coronhada em Kauê enquanto estava com a arma em mãos. Durante essa ação, ocorreu o disparo que acabou atingindo Victória Manoelly.

Com base nessa conclusão, a Justiça de São Paulo converteu a prisão do policial em preventiva, e ele permanece detido enquanto o caso segue em tramitação judicial.

Vanessa Priscila dos Santos, mãe da adolescente Victoria Manuelly, de 16 anos, morta por um sargento da Polícia Militar, na Zona Leste de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Velório marcado por relatos de intimidação

O velório de Victória Manoelly ocorreu entre a noite de sábado (11 de janeiro) e a madrugada de domingo (12 de janeiro), no Cemitério Municipal de Guaianases.

Segundo relatos da família à imprensa, viaturas da Polícia Militar circularam repetidamente ao redor do cemitério durante toda a noite. Um parente afirmou ao Ponte Jornalismo que os policiais permaneceram no local por horas, o que teria causado medo e desconforto aos familiares e amigos presentes na despedida.

A família afirmou que a presença constante das viaturas foi percebida como uma forma de intimidação, especialmente diante do contexto em que a adolescente havia sido morta por um policial militar dias antes.

Confirmação por entidade de apoio a famílias de vítimas

A presença reiterada de viaturas no velório também foi confirmada por Márcia Gazza, representante do grupo Mães em Luto da Zona Leste, coletivo que reúne familiares de vítimas de violência policial.

Segundo ela, a movimentação policial ao redor do cemitério foi observada ao longo da cerimônia e reforçou a sensação de intimidação vivida pela família. A representante destacou que situações desse tipo costumam gerar ainda mais sofrimento emocional para parentes que já estão em luto.

Posicionamento institucional e limites da apuração

Até o momento, não há informação pública de que a Polícia Militar tenha apresentado justificativa oficial específica para a presença das viaturas no entorno do cemitério durante o velório.

Também não há confirmação de que os policiais que circularam pelo local tenham interagido diretamente com a família ou impedido a realização da cerimônia. O que foi relatado e confirmado por testemunhas ouvidas pela imprensa diz respeito à presença constante de viaturas e patrulhamento no entorno, sem explicação formal divulgada.

O que está confirmado até agora

Com base em informações publicadas por veículos jornalísticos confiáveis, os seguintes pontos estão confirmados:

  • Victória Manoelly dos Santos, de 16 anos, morreu após ser atingida por um tiro disparado por um policial militar.

  • O disparo ocorreu durante uma abordagem policial ao irmão da adolescente, em Guaianases, zona leste de São Paulo.

  • O inquérito da Polícia Civil concluiu que o policial agiu com dolo eventual.

  • O sargento responsável pelo disparo teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça de São Paulo.

  • Familiares relataram a presença reiterada de viaturas da PM no entorno do velório, durante a noite e madrugada.

  • Entidades e testemunhas confirmaram que a situação foi percebida como intimidadora pela família.

O que ainda segue em andamento

Alguns pontos seguem sob análise ou não foram oficialmente esclarecidos:

  • A motivação formal para a presença das viaturas no velório.

  • Se houve ordem institucional ou protocolo específico relacionado ao patrulhamento no local.

  • O desfecho judicial do processo criminal envolvendo o policial acusado.

Essas informações dependem de manifestações oficiais futuras da Polícia Militar e do andamento do processo judicial.

Encerramento

O caso de Victória Manoelly expõe não apenas as circunstâncias da morte de uma adolescente durante uma ação policial, mas também os impactos institucionais e humanos que se estendem além do fato inicial. O relato da família sobre a presença policial no velório adiciona um novo elemento ao debate sobre conduta institucional, luto e respeito às famílias de vítimas.

Enquanto o processo judicial segue em andamento, o caso permanece como mais um episódio acompanhado de perto por organizações da sociedade civil, pela imprensa independente e por entidades de defesa dos direitos humanos.