Ataque russo a Odessa deixa ao menos oito mortos enquanto negociações de paz avançam lentamente

Ataque russo a Odessa mata ao menos oito pessoas enquanto guerra na Ucrânia se intensifica e negociações de paz seguem sem avanços concretos.

Thamires Souza

12/20/20253 min read

Um bombeiro trabalha no local de um ataque russo com mísseis e drones, em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia, na região de Odessa, Ucrânia [Foto de divulgação/Ucrânia, região de Odessa, via Reuters].aljazeera.com/

Um ataque russo com mísseis e drones contra a cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, deixou pelo menos oito pessoas mortas e 27 feridas, segundo autoridades ucranianas. A ofensiva atingiu a infraestrutura logística do porto, uma área estratégica às margens do Mar Negro, e ocorre em meio a negociações internacionais de paz que seguem sem avanços concretos.

As informações foram divulgadas por autoridades locais e confirmadas por agências internacionais de notícias, como a Reuters, que teve acesso a imagens do local logo após o bombardeio.

O que aconteceu em Odessa

O ataque ocorreu durante a noite de sexta-feira e envolveu mísseis balísticos e drones, atingindo estruturas consideradas essenciais para o funcionamento do porto. Segundo relatos oficiais, algumas vítimas ficaram presas dentro de um ônibus próximo ao epicentro da explosão, enquanto caminhões pegaram fogo em um estacionamento adjacente.

No sábado, a Rússia voltou a atacar a mesma área, desta vez atingindo reservatórios de combustível. O vice-primeiro-ministro ucraniano classificou a ação como um ataque deliberado contra rotas civis de abastecimento, reforçando acusações de que Moscou estaria mirando infraestrutura não militar.

Impacto humanitário e contexto do inverno

Autoridades ucranianas afirmam que os ataques fazem parte de uma campanha contínua contra a infraestrutura civil de Odessa, que já deixou mais de dois milhões de pessoas sem eletricidade, água e aquecimento em diferentes momentos do conflito.

A situação é agravada pelas temperaturas negativas do inverno, no que já é considerado o quarto inverno consecutivo de guerra desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022.

Escalada militar dos dois lados

Enquanto Moscou intensifica bombardeios no sul e leste da Ucrânia, Kiev também ampliou suas ações ofensivas. Na mesma noite do ataque a Odessa, drones ucranianos atingiram a plataforma petrolífera Filanovsky, pertencente à estatal russa Lukoil, no Mar Cáspio, além de um navio de patrulha militar que operava nas proximidades.

Esse foi o primeiro ataque ucraniano oficialmente reconhecido contra infraestrutura de perfuração no Mar Cáspio, embora a plataforma já tivesse sido atingida anteriormente, segundo relatos russos.

No campo terrestre, a Rússia afirmou ter capturado vilas nas regiões de Donetsk e Sumy, declarações que não puderam ser verificadas de forma independente até o momento.

Negociações de paz seguem sem avanço

Os ataques ocorrem enquanto autoridades dos Estados Unidos, Europa, Rússia e Ucrânia participam de reuniões diplomáticas em Miami, com o objetivo de buscar uma saída negociada para o conflito.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington não pretende impor um acordo à Ucrânia, descrevendo o conflito como “uma guerra que não é nossa”, mas ressaltando o interesse americano em uma solução diplomática.

Representantes russos e ucranianos participam das conversas de forma separada, em um formato considerado sensível, dada a ausência de consenso sobre concessões territoriais, o principal entrave das negociações.

O impasse territorial

O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou nesta semana que Moscou exige que a Ucrânia ceda totalmente quatro regiões ocupadas, além da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 — condições que Kiev rejeita integralmente.

Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou que qualquer eleição presidencial futura só poderá ocorrer após um cessar-fogo ou acordo de paz, lembrando que a legislação do país proíbe eleições durante a vigência da lei marcial.

Situação no campo de batalha

Apesar das declarações otimistas de Moscou sobre avanços militares, analistas e autoridades ocidentais apontam contradições no terreno. A Ucrânia recuperou partes estratégicas da cidade de Kupiansk, no norte, e mantém posições defensivas importantes em Pokrovsk, na região de Donetsk, contrariando alegações russas de controle total.

Na esfera internacional, líderes europeus aprovaram um pacote de empréstimos de cerca de 90 bilhões de euros para apoiar a Ucrânia nos próximos dois anos, seja para defesa, caso o conflito continue, ou para reconstrução, se um acordo de paz for alcançado.