Aliança encontrada em corpo reforça suspeita de morte de policial militar desaparecido em Embu-Guaçu

Corpo encontrado em Embu-Guaçu pode ser de PM desaparecido; família reconheceu aliança e roupas, e polícia investiga execução ligada ao crime organizado.

Escrito por: Thamires Souza

1/12/20264 min read

Cabo PM Fabrício Gomes de Santana está desaparecido desde a tarde de quarta-feira (7) • Reprodução -
Cabo PM Fabrício Gomes de Santana está desaparecido desde a tarde de quarta-feira (7) • Reprodução -

Cabo PM Fabrício Gomes de Santana está desaparecido desde a tarde de quarta-feira (7) • Reprodução - CNN brasil

Aliança encontrada em corpo reforça suspeita de morte de policial militar desaparecido em Embu-Guaçu

Um corpo localizado em uma área de mata em Embu-Guaçu, na manhã deste domingo (11), pode ser do policial militar Fabrício Gomes de Santana, conhecido como cabo Santana, que estava desaparecido desde a última quarta-feira (7). A principal evidência que sustenta essa linha de investigação é o reconhecimento, por parte da família, de uma aliança encontrada junto ao corpo, além das roupas compatíveis com as que o policial usava no dia do desaparecimento.

Apesar do reconhecimento preliminar feito por familiares, a identificação oficial ainda depende da conclusão dos exames periciais conduzidos pelas autoridades. Até que os laudos sejam finalizados, o caso segue tratado como suspeita de confirmação da identidade.

Corpo foi localizado após operação integrada das polícias

A localização do corpo ocorreu durante uma ação conjunta da Polícia Militar do Estado de São Paulo e da Polícia Civil do Estado de São Paulo, após dias de buscas intensas na região.

No sábado (10), equipes já haviam se deslocado até áreas próximas ao local onde o corpo foi encontrado, mas sem sucesso. Na manhã do domingo, uma nova operação foi realizada com apoio do Comando de Operações Especiais e do canil da Polícia Militar. A utilização de uma cadela farejadora foi decisiva para a identificação do ponto exato onde o corpo estava escondido, em uma área de mata no bairro do Cipó.

Investigação aponta sequestro e execução após identificação da vítima

As investigações indicam que o cabo Santana estava no bairro Jardim Horizonte Azul acompanhado de um amigo identificado como Isaque, quando um terceiro homem, chamado Riclecio, se aproximou. Durante a conversa, Riclecio teria tentado consumir cocaína e foi repreendido pelo policial, o que gerou uma discussão.

Embora Riclecio tenha se desculpado inicialmente e deixado o local, a polícia apura que ele teria procurado líderes do crime da região e informado que Fabrício era policial militar. A partir dessa informação, Isaque teria sido chamado novamente ao local e levado o cabo Santana junto.

Segundo a apuração policial, o militar foi desarmado, submetido a um chamado “tribunal do crime” e condenado à morte. Essa prática, comum em áreas dominadas por facções criminosas, consiste em julgamentos informais realizados por integrantes do crime organizado.

Imagens de câmeras ajudaram a reconstruir o trajeto

Imagens de câmeras de segurança da região tiveram papel fundamental para o avanço das investigações. Os registros mostram um dos suspeitos, conhecido pelo apelido de “Gato Preto”, dirigindo um Chevrolet Corsa, enquanto outro indivíduo conduzia o carro da vítima.

Os veículos seguiram até um ponto onde o automóvel do policial foi incendiado. Em seguida, os suspeitos se deslocaram para uma área rural de Embu-Guaçu, o que permitiu à polícia delimitar a região onde o corpo poderia ter sido descartado.

Em um sítio localizado nas proximidades, foram encontrados indícios de terra recentemente remexida, o que reforçou a suspeita de ocultação do corpo naquele perímetro.

Carro do PM foi encontrado em chamas • Reprodução - CNN brasil
Carro do PM foi encontrado em chamas • Reprodução - CNN brasil

Carro do PM foi encontrado em chamas • Reprodução - CNN brasil

Prisões e suspeitas de ligação com facção criminosa

O proprietário do sítio onde os vestígios foram encontrados, identificado como André, teve a prisão temporária decretada. As autoridades investigam se ele possui ligação com o Primeiro Comando da Capital, embora ainda não haja confirmação de que a facção tenha ordenado diretamente a morte do policial.

Isaque, amigo que estava com o cabo Santana antes do desaparecimento, também é investigado. Segundo a polícia, há indícios de que ele tenha envolvimento com o tráfico de drogas, e sua possível ligação com organizações criminosas segue sob análise.

O caseiro do sítio foi ouvido e liberado, não sendo considerado investigado neste momento.

Polícia acredita que mais pessoas participaram do crime

De acordo com a investigação, pelo menos outras quatro pessoas teriam participado tanto da execução quanto da ocultação do corpo e da destruição do veículo da vítima. Até o momento, quatro homens já estão presos, mas as autoridades não descartam novas prisões conforme o inquérito avança.

A polícia segue coletando depoimentos, analisando imagens e aguardando laudos periciais para esclarecer completamente a dinâmica do crime, identificar todos os envolvidos e confirmar oficialmente a identidade do corpo encontrado.

Caso segue sob investigação

O desaparecimento e a morte suspeita do cabo Santana causaram forte comoção entre familiares, colegas de farda e moradores da região. A Polícia Civil afirma que as investigações continuam em ritmo acelerado e que novas informações serão divulgadas conforme houver confirmação oficial dos exames periciais.

Até lá, o caso segue tratado como prioridade pelas forças de segurança do estado.

Sobre o autor
Thamires Souza é a criadora e editora do Mente de Curioso, um blog dedicado à divulgação de curiosidades, ciência, história e fatos explicados de forma clara, responsável e informativa.